<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8312703426365223788</id><updated>2011-07-30T22:25:41.301-07:00</updated><title type='text'>Retroneofora</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://retroneofora.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8312703426365223788/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retroneofora.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Gonçalo Morgado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05085019616766030215</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8312703426365223788.post-2272800221062350656</id><published>2010-10-19T14:30:00.000-07:00</published><updated>2010-10-19T14:30:37.176-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;N&lt;/o:p&gt;o meio de toda a suspensão existente nos momentos passados de mão dada, o mundo parece mexer-se de uma forma menos dinâmica. Tudo em redor se processa ao sabor de uma lentidão quase incompreensível para quem corre interiormente a mil por segundo. Na retina acabam por ficar, não situações, mas pequenos apontamentos cheios de dicas muito úteis para quem estuda ou trabalha em cenografia – os verdes parecem-no mais, bem como os azuis ou os brancos, podendo eventualmente nada se parecer mais ou menos com aquilo que deveria. Pequenos zooms aparecem durante essas caminhadas a quatro pernas uma vez desviada a atenção dos olhos de quem acompanha, perdendo-se na maior parte das vezes aquilo a que os nativos da língua inglesa chamam “the bigger picture”. Interessam os fotogramas, alimento indispensável à preservação de uma espécie animal em desuso biológico, e a capacidade de armazenamento para a eles se associarem outros, eventualmente passados, nunca fechando a porta a hipotéticas sessões de captação futuras. Os pequenos apertos no estômago e a consequente ansiedade que provocam esbatem todas as cores e promovem ao nível do utilizador de aparelhos fotográficos o uso de escalas de cinzentos… tonalidades essenciais à vivência dos momentos são registadas a preto e branco. Determinadas cenas da vida urbana como os finais de tarde à beira-rio ou numa zona pedonal com esplanadas aparecem por toda a parte digeridas à luz da ausência de cor, como um sonho cristalizado ou uma fantasista visão vintage de momentos perfeitos. Grandes cidades com pavimentos planos e candeeiros a puxarem a séculos passados são pródigas em pequenos detalhes dotados da magia do imprevisto. Regista-se o outro olhar através de lentes presas ao diafragma e em pano de fundo passam mulheres de chapéu montadas em bicicletas com cestos, existem figurantes tendas com toldos às riscas expondo frutas, flores ou objectos alegóricos habitualmente rodeados por pessoas de visita, também elas com máquinas fotográficas ao ombro.&lt;br /&gt;Situações climatéricas extremas acabam por ser favoráveis à digestão destes momentos, dependendo delas a magia das imagens. Invernos rigorosos, preferencialmente cobertos de neve, por promoverem um maior contraste na captação das imagens, fomentam registos interessantes porque possibilitam o uso de boinas, gorros, chapéus, luvas e cachecóis, optando-se habitualmente por roupas mais escuras e casacos compridos com um corte mais talhado. Mais uma vez, e seguindo a lógica dos cinzentos fotográficos, as cores do momento ficam retidas na memória vivencial e o que transparece, para além do exercício de estilo, acaba por ser um instante promovido a acontecimento de excelência. Com a chegada do frio, situações de rua em que a partilha de uma misantropia a dois acontece acabam por juntar os corpos um pouco mais. Começando a questão por se levantar num plano de mera sobrevivência procura-se calor, literalmente, no outro lado. Os abraços são mais apertados e as mãos vão-se mantendo nos próprios bolsos ou eventualmente nos de quem incondicionalmente ali está. O calor acaba por se sentir para além do resguardo dos casacos totalmente apertados e ao respirar-se bem fundo o frio cortante não faz mais do que realçar interiormente o conforto habitual da companhia que se sabe certa, soltando-se talvez por isso menos palavras e procurando-se, por outro lado, um pouco mais de contacto físico. A presença das coisas boas, também conhecidas por mimos, é um pouco mais frequente… sabe pela vida fazer uma pequena pausa num desses passeios invernosos e entrar em algum sítio quente e preferencialmente com algum significado emocional para beber um chá ou uma chávena de chocolate quente, surgindo mais uma vez a oportunidade de registo ideal. De máquina em punho é bem mais árduo conseguir ultrapassar a resistência de quem do outro lado se debate para não ser fotografado do que o frio instalado de armas e bagagens por toda a cidade. Pouco depois vem a reciprocidade, como é habitual neste género de situação, e cai-se sem grandes problemas no “agora tu e eu logo de seguida”. No quadro seguinte fotografa-se às cegas num abraço tão apertado ao ponto de se conseguirem enquadrar as duas pessoas no visor que nenhuma delas consegue ver porque tal como a caminhada a quatro pernas este é um momento a quatro mãos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; De volta ao frio, agora um nada mais agudo por já se ter posto o sol, aperta-se a companhia ainda mais, na tentativa de conservar o investimento quente feito poucos momentos antes. Conversa-se de um jeito mais anímico enquanto o ar condensado se liberta. O caminho vai-se seguindo sem grandes preocupações ou planos imediatos. O fluir das ruas ao final de uma tarde de Inverno costuma ser um pouco mais animado do que em épocas mais quentes quando toda a gente se senta em esplanadas. Sente-se um pequeno frenesim e as pessoas são mais decididas nos itinerários que aleatoriamente vão definindo. Durante os fins-de-semana passa-se sempre alguma coisa em todas as praças ou espaços de maior concentração de dispersões lúdicas e não é de todo difícil desaguar nestes sítios quando se seguem as massas de decididos caminhantes, uns porque por lá pretendem ficar, outros porque fazem questão de ali passar na esperança do tal acontecimento ou outros mesmo porque vão para um lado que nada tem que ver com aquelas paragens, mas fica a caminho e é sempre agradável fazer aquele trajecto. Certo é daí a nada estar-se com uma dúzia de castanhas nas mãos frias e daí a nada, especialmente depois de se decidir ocupar um dos bancos da praça se estar outra vez no encalço de momentos de teor registável, agora acompanhados de flashsituacionais e com a vivacidade do momento, mais tarde apelidados de postais, como uma espécie de tentativa legitimadora in loco dos momentos passados durante aquelas horas. Um comprovativo de alguma felicidade ou algo parecido.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8312703426365223788-2272800221062350656?l=retroneofora.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://retroneofora.blogspot.com/feeds/2272800221062350656/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://retroneofora.blogspot.com/2010/10/n-o-meio-de-toda-suspensao-existente.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8312703426365223788/posts/default/2272800221062350656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8312703426365223788/posts/default/2272800221062350656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://retroneofora.blogspot.com/2010/10/n-o-meio-de-toda-suspensao-existente.html' title=''/><author><name>Gonçalo Morgado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05085019616766030215</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
